Encontro da Família

Em 1992 foi realizado o 1.º encontro da Família Wastowski e, após 25 anos, o segundo encontro foi realizado em 2017.
Em breve teremos o 3.º encontro. :)
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Livro de Visitas

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Santuário a Nossa Senhora de Częstochowa

Santuário para Nossa Senhora Częstochowa A devoção a Nossa Senhora do Monte Claro veio com o imigrante polonês e é mantida por seus descendentes. Na comunidade da linha Bom Jardim está localizado o santuário em honra a Nossa Senhora de Częstochowa.
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Casamento Polonês (Polskie Wesele)

Os imigrantes poloneses chegaram e se estabeleceram em várias Colônias (Kolonia) no Rio Grande do Sul. Entenda-se aqui colônia como o grupo de descendentes dos imigrantes que vieram da Polônia para o Brasil e que preservaram as tradições, as características culturais, a língua e a religião trazidas da Europa. Eram Polskie Wesele pobres, mas viviam muito bem. Embora tenham aprendido o português e tenham assimilado a cultura brasileira, os descendentes dos imigrantes preservaram muitas tradições, como é o caso do casamento (wesele) tipicamente polonês.

Tradicionalmente, um polonês deveria casar com uma polonesa, porém hoje isto não é levado tão ao pé da letra. Há mais de 50 anos atrás os poloneses fugiam com as moças caboclas para se casar já que era impensável fazê-lo pelas vias normais, pois os pais jamais dariam seu consentimento.

O Local e a Data

A festa do casamento era feita na casa dos pais da noiva, num dia de sábado. Em décadas anteriores, o casamento era celebrado na segunda-feira e não no sábado. Para marcar o casamento, era preciso pensar em contratar uma cozinheira (kucharka e kucharz) com seus tachos e talheres, uma bandinha de música (muzykant ou muzyk), o padre (ksiąds)..., algo que tinha que ser feito com uns dezoito meses de antecedência. Marcada a data com esses três profissionais, então era hora de irem convidando o casal coordenador da festa (starszysna ou szef), os padrinhos (druźba – no plural druźbowie) e madrinhas (druźbować), os condes e as damas (druhna). O convite geral era dirigido para os familiares e vizinhos, na prática, a colônia toda era convidada.


A Cozinheira

Prevendo alimentação por dois a quatro dias, a cozinheira se alojava na casa da noiva já na segunda-feira, quando encaminhava a arte culinária da semana. Na década de 1960, poucas casas tinham energia elétrica. Na terça-feira, ela assava as bolachas de mel com decoração colorida feita à base de glacê e açúcar. Na quarta-feira, ela cozinhava a cerveja caseira (piwo) e a gengibirra (feita de milho, gengibre, açúcar mascavo e água), mais doce. Na quinta-feira, assava as broas (chleb - pão) e o bolo da noiva (kolacz) e preparava a geleia de porco (zimno noga). Dois ou três porcos (świniak) eram abatidos pela manhã, tarefa que todo colono sabia fazer; já para matar o boi (wól) previamente engordado, era necessário chamar um açougueiro que possuía os apetrechos adequados. Na sexta-feira, dia em que os condes e as damas vinham para ornamentar o ambiente, a cozinheira se ocupava em preparar os frangos; o frango (kurczak) - caipira tinha que ser novo e era doado pelos convidados ao casamento.

Os pernis suínos eram assados no forno. Eram fritados os bolinhos de carne (klops) e os sonhos. O açougueiro esquartejava a carne do boi. No sábado pela manhã, a cozinheira assava os frangos. Um grupo de mulheres fazia a maionese de batata e ovo, cozinhava o arroz, preparava as saladas de cebola e tomate. Numa grelha montada especialmente para a ocasião, vários homens se encarregavam de assar o churrasco. A refeição principal era servida pelas 15 horas, pois a cerimônia religiosa era oficializada na igreja pela manhã ou no mais tardar pelas 14 horas.


A Despedida

A noiva se trajava em sua própria casa, com o auxílio de uma pessoa da família (starszyzna) que sabia vestir a noiva. Por isso, havia o rito da despedida (przemowa ou przemówienie) dos noivos de seus pais. Nesse rito, eram declamados poemas e orações, intercalados por músicas religiosas (Despedida da Noiva - Casamento Polonês). Por três vezes, de joelhos, os noivos pediam a bênção dos pais e estes, chorando, lhes impunham as mãos sobre a cabeça e traçavam o sinal-da-cruz. O padrinho (druźba), falando em nome dos pais da noiva, dizia: "Nossa filha sempre foi tratada como rainha; se por acaso ela não servir para você, caro noivo, traga ela de volta que aqui ela será tratada sempre como rainha!".

No final dessa cerimônia familiar, o casal coordenador da festa (starszysna ou szef) jogava balas para os convidados e o druźba servia vodka para os homens e licor para as mulheres. O noivo era encarregado de comprar os foguetes, os cigarros e charutos que eram colocados em caixas de sapato ornamentadas com papel crepom desfiado. Cada convidado de honra recebia pregado na roupa uma flor, que era de cedro ou cipreste verde com um lacinho de fita colorida. Para cada categoria de convidados (pais, padrinhos, druźba, druźbować e druhna) havia uma flor diferente. Alguns dias depois do casamento, os noivos iam para a cidade para a foto do casamento; a noiva se vestia de novo e então era feito o retrato. Não havia fotógrafos no dia do casamento, muito menos câmara de vídeo.


O Matrimônio

De carroça puxada por uma parelha de cavalos, ou de perua rural, os noivos se dirigiam até a Igreja. Havia flores de crepom penduradas no arreamento dos cavalos, nos fueiros dos cavalos (klonica) nas carroças, e, mais tarde, nas maçanetas dos automóveis. O matrimônio era celebrado dentro da liturgia da missa. Nessa época, a missa mudou do latim para a língua vernácula (própria do país).

O casamento era celebrado em polonês, dado que todos conheciam a língua. O Concílio Vaticano II instituiu a equipe litúrgica que ajuda o padre a celebrar a missa; as tarefas litúrgicas cabiam a alguns membros da família dos noivos. O casamento civil (ślub cywilny) era feito alguns dias antes ou depois do casamento religioso, na mais discreta singeleza; iam ao cartório apenas os noivos e duas testemunhas, que também podiam ser qualquer pessoa encontrada nas imediações do cartório.


Os Arcos

Terminada a cerimônia religiosa, o cortejo viajava para a casa da noiva. No trajeto, os foguetes sinalizavam em qual parte do trajeto os noivos se encontravam. Nas estradas de chão batido, se chovesse a carroça demorava mais, mas era mais seguro para ir e voltar, pois o jipe, a rural ou a caminhonete frequentemente encalhavam no barro. Nas principais encruzilhadas, desde o dia anterior estavam montados arcos (bramka), com duas taquaras verdes e enfeitadas com flores coloridas de crepom. O arco principal ficava na entrada da casa onde seria a festa. Os convidados para o casamento iam antes para casa da noiva depois da igreja. O druźba e druźbować recebiam os convidados com um aperitivo, recolhendo os presentes para os noivos, que eram panelas, talheres, ferramentas, quadros religiosos e até guarda-chuva.


A Festa

Enfim, a festa vai começar. Tão logo chegavam da igreja, os noivos serviam o bolo (kolacz) para os convidados. O noivo servia - de novo - vodka e cigarros para os homens; a noiva distribuía balas (cukierek) para as mulheres e crianças. Então, aos poucos os convidados se sentavam à mesa; as mesas eram montadas no paiol. Como o espaço não era muito grande e eram poucos os pratos e os talheres, era necessário servir em duas a quatro mesadas.


A Dança

Terminada a comilança, as mesas eram rapidamente desmontadas para a dança. O paiol se transformava na pista de dança (tańczyć), que era enfeitado no teto com taquaras verdes e flores de papel e galhos de cedro pregados nas paredes. No início os noivos dançam juntos. Depois a dança ficava livre até o amanhecer do dia. Cada pouco, alguém gritava: "Viva os noivos!" (Niech żyje nań).


A Música

As bandinhas musicais da época utilizavam o violino (skrzypek), o acordeão, o clarinete, o baixo (bas) e o bumbo. Como não havia energia elétrica e nem amplificadores de som, o melhor clarinetista era aquele que conseguia soprar com mais força no seu instrumento. As bandinhas eram familiares - pai, filho, genro, cunhado.


A Dança da Mesa

Pelas 22 horas, era realizada a dança da mesa. Os noivos eram colocados sentados à mesa ao centro do galpão, juntamente com os padrinhos. Cada conde e dama tinham a tarefa de ir buscando cada um dos convidados e dançar uma volta com o convidado ao redor da mesa dos noivos. Aí, o convidado pagava a gratificação do casamento, depositando uma cédula de dinheiro no prato ou bacia dos noivos. A compensação da gratificação era um novo cálice de vodka ou licor, ou balas, ou cigarros. Não havia o costume de cortar a gravata do noivo ou recolher moedas no sapatinho da noiva.

Ao final dessa cerimônia, a noiva se sentava no colo do noivo e as senhoras casadas retiravam (oczepiny) o véu da noiva e então ela recebia um lenço-de-cabeça (czepiec ou chustka); a partir dessa hora, já como mulher casada, ela passava a usar o lenço todos os dias. Fazia-se uma brincadeira, em que as casadas puxavam a noiva para o lado delas e as solteiras puxavam-na para o lado das solteiras. Enquanto isso, os homens respeitáveis, trajados de chapéu, em qualquer canto, com um baralho bem surrado, improvisavam uma mesa para jogar uma eletrizante partida de pife ou agora em dia canastra.


Poprawiny

A música e a dança continuavam até o amanhecer do dia. Para repor as energias, pela meia-noite era servido um cafezão com a comida especialmente preparada para essa hora: pastel de requeijão (píeróg ou pierogi), bolinho de carne (klops), geléia de porco (zimno noga), bolachas, sonhos, bolos, cucas (cukierek)... No almoço do dia seguinte, domingo, parentes e vizinhos iam de novo à casa da noiva para um almoço festivo – repique -, chamado poprawiny; se algo não foi bom no dia anterior, agora era reparado! A legitimação de se comparecer nesse almoço era a desculpa de se oferecer para fazer a limpeza do pós-casamento; porém, depois de tanta piwo e vodka, o serviço ficava, naturalmente, para os donos da casa para a segunda-feira.


Podwórko

Casal que casa, quer casa para morar. O primeiro local que o filho ou a filha do casal polonês pensa em morar é ao lado da casa dos pais, ou seja, Podwórko ou Podwórze (pátio) ou no kartoflisko (onde se plantava batata). Todo dia, a dona da casa (matka) tinha a tarefa de ir buscar a batata-doce para os animais, com o auxílio de um carrinho-de-mão (taszka). Por isso, o kartoflisko tinha que ficar perto da casa. O pai (tata) era um pequeno lavrador; a mãe (matka), dona-de-casa e responsável pela criação de animais.

A casa sempre era construída perto de um córrego para facilitar a água para os animais. Na propriedade, sempre havia um poço de água potável e um cercado com pasto para equinos e bovinos. As terras férteis mais ao longe da casa eram destinadas para a plantação de batata, trigo, centeio, cevada, milho, feijão, ervilha, repolho... Olhando da janela da casa-mãe, a babka - mãe ou sogra - conseguia controlar as briguinhas do casal novo, as brincadeiras dos netos, a hora de as crianças irem para a escola, a hora que o genro chegava a casa, e, ai, se voltasse bêbado...


A Língua

Até hoje (ano 2006), nas colônias polonesas pode-se falar a língua polonesa, especialmente com as pessoas mais idosas. Havia escola que ensinava o polonês, a missa era em polonês. Sobraram cantigas de natal (kolęda), de quaresma (gorzkie zale) e folclóricas que até hoje são cantadas nas festas polonesas. Na época de natal, havia a apresentação do Turon, uma espécie de bode (não se conhecia o papai-noel) que visitava todas as famílias. Para crianças de primeiro ano de escola, a desgraça ficava por conta de encontrar um professor que não entendia o polonês, onde havia colônias de poloneses e italianos; o professor era italiano e os alunos poloneses eram chamados de Polako Burro.

Os poloneses não gostavam de serem chamados de Polakos, pois este termo era pejorativo; preferiam ser chamados de Poloneses. Em troca, os poloneses chamavam os negros de zieleń e; falar de negro (czarny) era passível de taxação preconceituosa, mas podia-se chamá-lo de Verde (zieleń). Havia dois grupos rivais de poloneses: os urbanos, 5% (miasto) e os rurais, 95% (kolonista).


A Lavoura

Tipicamente polonesa trouxe ao Brasil ferramentas cujo modelo só é encontrado nesta região: arado (plug), "aradinho" de três lâminas (radlo), grade triangular (brona), carrinho sem rodas puxado por cavalo (sanie), ventilador para cereais (mlynek), foicinha (sierp), gadanha (kosa), moedor de milho (żarna), picador de palha (sieczkarnia), berço balançante (kolyska), costurador de pele curtida (szycie)... No prédio da casa e do paiol sempre havia o sótão (piętro), onde era possível guardar sementes ou feno para o inverno. Alguns utensílios domésticos eram típicos: fazedor de manteiga (maślanka), azedador de repolho (beczka).

No final do verão, o feno ou papua era secado e empilhado ao redor de um tronco (kloda) para servir de alimento para o gado no período do inverno. Plantava-se batata-doce, batata inglesa, repolho, ervilha, centeio, feijão, arroz, linhaça, cebola, alho, beterraba... Para malhar o trigo ou para descascar o milho no paiol, havia mutirão que acabava em baile. Quando um lavrador, passando pela estrada, enxergava um colega a capinar a lavoura, levantando o chapéu, bradava: "Deus te ajude!" (Boże pomaga), ao que o outro respondia: "Deus te pague!" (Bóg zapla).


A Carroça

A imigração polonesa destaca-se pela difusão da carroça (wóz) puxada por dois cavalos ou bois. A carroça representou um ciclo intermediário entre o transporte em lombo de burro e o transporte ferroviário e rodoviário. A carroça possuía um cabeçalho (dyszel), na ponta do qual era atrelado o arreamento do cavalo (konnica). As rodas da carroça possuíam uma chapa de aço (obręcz) e raios de madeira (szprycha). Os fueiros (klonica) seguravam as paredes, artisticamente entalhadas e pintadas em várias cores. A carroça podia ser usada para transportar pessoas, quando eram colocados assentos de mola, ou para transportar cargas de até meia tonelada. Em dias de festa, eram colocados os guizos na coleira dos cavalos.


Os Animais

Em cada propriedade, era costume ter uma criação de animais que incluíam: vaca de leite, touro e porco para a carne, galos e galinhas para produção de ovos, cavalos para a tração animal. Por isso, sempre havia estábulo (stajnia), chiqueiro (chlew), galinheiro (Kurnik); incluindo residência e paiol para depósito e garagens, em cada propriedade rural havia no mínimo cinco construções cobertas com telhas de barro. Os animais criados para a defesa da propriedade eram os cachorros; os gatos (kocur) moravam no paiol para caçarem os ratos. De vez em quando, no leilão da festa da igreja, era interessante arrematar um cachaço para poder melhorar a raça da criação de porcos. O mesmo podia acontecer ao arrematar uma abóbora, um casal de marrecos ou gansos - para produzir penas para o edredom (pierzyna) -, um cabrito, um coelho...


A Cultura Polonesa

Certamente o maior vestígio da cultura polonesa na região é a religião católica e a língua polonesa. Surgiram também profissões tipicamente polonesas, como a de ferreiro (kowal), cavador de poços (studniarz), construtor de casas (budowniczy), moinheiro (mlynarz), alfaiate (krawiec). É notável também a influência da culinária polonesa (repolho azedo, pastel de requeijão...).


A Religião

As tradições polonesas estão intimamente ligadas ao catolicismo. As colônias polonesas eram atendidas pelos padres missionários vicentinos poloneses. A missa de domingo era o ponto de encontro, oportunidade em que colocavam todas as notícias em dia. Chegavam à igreja com mais de uma hora de antecedência. Depois da missa, iam à venda: os homens tomavam aperitivos, as crianças e mulheres tomavam capilé e comiam bolachas, e a prosa continuava solta. Aos domingos à tarde, havia o costume de visitar os parentes. Também havia comunidades de irmãs religiosas polonesas que cuidavam da escola e selecionavam meninas vocacionadas para engrossar suas próprias fileiras.

A celebração de Pentecostes (zielone świątki) era o dia em que a casa era enfeitada no interior e na varanda com ramos de cedro. A sala principal da casa era o oratório (izba), onde havia um altar com estátuas do Sagrado Coração de Jesus e Imaculado Coração de Maria e os quadros de Nossa Senhora do Monte Claro (Matka Boska Czenstochowska) e de Santo Izidoro, o protetor dos lavradores. Toda noite, a família se reunia na izba para a reza do terço de Nossa Senhora. Quando vinha a Capelinha de Nossa Senhora, os vizinhos vinham rezar junto, porque depois da reza havia comida e bebida. No sábado da Semana Santa, se fazia a Bênção dos alimentos (święconka). Velório e enterro eram um ritual dos mais respeitados; na noite do velório, recitava-se o rosário de Nossa Senhora - 15 dezenas de Ave-Marias -, as ladainhas e os cânticos apropriados. Ao lado da igreja, sempre havia um cemitério; o enterro acontecia sempre com a missa de corpo-presente e a procissão até o cemitério, onde, na hora do sepultamento, se cantava o hino Serdeczna Matko e o ângelus (Aniol Pański).

Colaboração: Arci D. W. - 17 de Janeiro de 2007.
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